Indique
 
Cadastre-se
 
Recados
 
Clipping
 
Divulgação
 
Favoritos
 
Newsletter
 
     
     
 
 
     
   
     
 
Conheça o Nenhum de Nós > Curiosidades |  Quem é quem  |  Histórico  
 
David Bowie, “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars”

         Sofri muito em minha vida por causa de outras pessoas. Até aí nada de novo – não é privilégio meu passar por provações na mão alheia. Sofri por paixões adolescentes não correspondidas e por aquelas correspondidas demais. Vai entender...

         Na ilha. O mar azul se descortina à minha frente e a areia da praia já entrou em cada reentrância de minhas roupas molhadas. Salvei-me do naufrágio graças a uma bóia que se desgarrou do bote salva-vidas usado pela tripulação em sua tentativa de sobreviver à tragédia que... Bem, lá estava eu abrindo minha mochila embaixo do sol forte da praia da tal ilha deserta.

         Meu walkman e os fones estavam intactos. Remexendo no fundo da mochila encontrei o que minhas mãos ansiosas procuravam: “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders of Mars”, de David Bowie. (A30th Anniversary Edition, claro).

         Nunca pensei em assumir uma identidade artística como Bowie fez criando Ziggy, mas tal pensamento não diminuiu em nada a enorme influência que este disco teve em minha formação como músico, artista e pessoa, afinal.

         Confesso que quando ouvi pela primeira vez o disco, não tive a exata noção da obra que eu tomava contato. Apenas depois de alguns meses – fazendo audições freqüentes – é que percebi que o mundo de Ziggy Stardust havia se tornado parte de mim. Não conseguia pensar em outra coisa quando ia colocar algo pra ouvir. Era automático. Vício. A porta de entrada foi “Lady Stardust” e “Soul Love”. Depois de um tempo era “It Ain’t Eazy” e “Starman”. Passei por todas – cada uma a predileta da hora – e acabei com “Rock'n'Roll Suicide”, pra logo recomeçar com “Five Years”.

         Alguém pode perguntar agora, o que tem tudo isso a ver com aquele papo de sofrimento lá do início?

         O ano era 1989 e eu e meus colegas de banda cometemos “O Astronauta de Mármore”. Logo eu, guardião feroz da obra máxima (pra mim) de Bowie, estava assassinando o clássico. AHAHAHAHAHAHA. Desculpe a analogia, mas lembrei-me de Cristo na cruz: “- Perdoe-os, meu pai, eles não sabem o que fazem.”

         Caras que não sabiam nem de que disco era a música, não sabiam quem era Bowie, não sabiam quem éramos nós, não sabiam escrever, não sabiam assoar o nariz e nem sabiam de que lado ficava sua própria bunda – resolveram se transformar nos arautos defensores da honradez e qualidade de Ziggy. Eles me fizeram sofrer?

         Críticos e “jornalistas” que se consideraram profundamente ofendidos com o sucesso de uma banda que não teve vergonha de fazer uma declaração de amor à sua maneira. Ignoraram o fato que o próprio Bowie aprovou nossa leitura tão própria da história de Major Tom. Quando ele veio ao Brasil, falou sobre ela em seus shows. Mas não, os gênios da imprensa musical sabiam mais sobre o Bowie do que ele próprio. Admito críticas, mas apenas de quem tem um mínimo de conhecimento de causa, o que não era o caso. Eles me fizeram sofrer?

         Não, não sofri por eles. Sabe o navio que naufragou e que me trouxe até a ilha deserta? Quase todos os canalhas estavam nele. Agora estão no fundo do mar servindo de alimento aos peixes. Esquecidos para sempre...

         E o sofrimento, então? É que alguém tirou o suprimento de pilhas da mochila. Vou ter que dar um jeito de sair daqui...

DISCO
Título: “The Rise and Fall o Ziggy Stardust and The Spiders From Mars”
Artista: David Bowie
Lançado em: 1972
Gravadora: Virgin
Faixas: 1. Five Years; 2. Soul Love; 3. Moonage Daydream; 4. Starman; 5. It Ain’t Easy; 6. Lady Stardust; 7. Star; 8. Hang on to Yourself; 9. Ziggy Stardust; 10. Suffragette City; 11. Rock & Roll With Me

Thedy Corrêa

 
Voltar