Viagem
em um dia frio
Caminho
em busca dos caminhos e trilhas que atravessam
a Redenção. As folhas fazem
creck e crunch sob meus pés. Uma
alegoria sonora para o ritmo arrastado dos
meus passos.
Alimento
o incomum hábito de procurar conforto
e prazer no vento frio e cortante que rasga
Porto Alegre no inverno. Não sei
se é um vento ou uma alma penada
em movimento apenas sei que ele me acaricia...
Sento
em um banco de pedra e observo a gélida
lâmina d’água do pequeno
lago. Percebo o silêncio dos animais
no zzzzzzzzzzoo. Ao contrário de
mim eles tentam abrigar-se da intempérie.
Eu
busco a Redenção em dias assim.
Dias
que exigem sobretudo e mãos abrigadas.
Dias gelados.
Levanto-me
para prosseguir a caminhada.
Lágrimas
nos olhos atrapalham minha visão.
Prefiro atribuí-las ao vento e ele
me contou uma de suas histórias tristes.
Baixinho, ao pé do ouvido. Histórias
que esta vida de correr por aí o
fez presenciar. Era uma história
triste e linda, por isso das lágrimas.
Meu
corpo me carregou sozinho até meu
destino: o recanto Alpino. Minha mente chegou
um pouco depois. A simples visão
da cabana de pedra me conduz a uma outra
viagem.
Fantasias
que a imaginação rica de uma
criança tatuaram em minha memória.
Percorre imagens, viagens, pessoas, saudade
até despertar, novamente com lágrimas.
O vento. Testemunha. Minhas viagens vieram
em palavras. Viraram histórias que
vento escutou e em seguida saiu correndo
por aí. Ele não sabe guardar
segredos.
Foi
logo contar para alguém.
Thedy
Corrêa
Texto escrito
para: agenda permanente da Prefeitura Municipal
de Porto Alegre e Secretaria Municipal do
Meio Ambiente. Série Especial Parque
Farroupilha – 65 anos.
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